As novas formas do saber
Alina Frapiccini é diretora da Fundação Kine Cultural e Educativa na Argentina, que promove a inclusão de crianças e adolescentes através da linguagem audiovisual. No último dia 10 de novembro Alina foi a moderadora de um Encontro Virtual da Rede Audiovisual Ibero-americana em um debate sobre a Alfabetização Audiovisual.
A conversa foi conduzida desde Iguaçu onde a equipe da Fundação Kine está desenvolvendo um projeto com o apoio do Ministério da Justiça, Segurança e Direitos Humanos além da Comissão Européia. Desde novembro até o final de 2010 a fundação vai custodiar com atividades de sensibilização social e comunitária oito províncias argentinas para a criação de observatórios. Os locais foram escolhidos pela problemática que se apresenta tais como mau-trato de pessoas, prostituição, movimento sem-terra. As missões de três dias incluem atividades para a exibição, reflexão e oficinas de expressões artísticas.
Alfabetização audiovisual ou multimedia
Nos últimos anos a Kine destaca a necessidade de gerar o intercâmbio entre trabalhos realizados em sala de aula e em espaços comunitários para a renovação e melhor aproveitamento do sistema de aprendizagem. A alfabetização audiovisual se estabelece desde os anos 60 não só nos Estados Unidos e Europa, mas também na América Latina. O professor Paulo Freire, por exemplo, contribuiu com a idéia que é essencial garantir cidadãos ativos, isto é, deter as ferramentas para assumir nossa própria palavra. A leitura crítica das imagens é fundamental e essencial hoje graças ao avanço das novas tecnologias que norteia o processo de produção. Ler ou escrever não se aprende apenas desde o outro mas esse aprendizado se incorpora a nossa própria escrita e comunicação.
Não somos todos escritores, simplesmente temos uma ferramenta. O texto audiovisual brinda de diferentes formas a oportunidade de sermos produtores ativos de nossas peças audiovisuais. Nesse contexto as crianças e adolescentes têm maior potencial de aprendizagem e intimidade com o universo das imagens e, portanto, o trabalho aprofunda o interesse além de reforçar aprendizagens anteriores. É importante destacar que o audiovisual exige transitar por todas as formas de expressão, volta a aproximar à escrita e abre a possibilidade de trabalhar com as sensações e emoções das idéias. Os jovens identificam habilidades e aptidões que não estão no currículo escolar tais como a fotografia, a expressão cultural e a música, que tão presente é para eles.
Outra função da Fundação Kine é propor aos docentes a ampliação do mundo dos jovens para saborear o saber, “incluir em nossa mochila novos conhecimentos, recuperar o prazer do saber, o desejo por buscar, por incluir-se no mundo a partir do conhecer”, como enfatiza Alina. Ela discute a presença massiva das telas que permite a exposição à violência e ao consumo permanente. Aprender sobre a leitura critica ajuda que os jovens decodifiquem o que está exposto através da possibilidade de construir suas obras para que possam, pouco a pouco, reconstruir suas próprias representações. Para isso é necessário estar sempre atento para não induzir à formas próprias – adultas - e geralmente contaminadas.
A apresentação completa da Alina estará acessível pela RAIA a partir da abertura da rede, em dezembro onde também será possível participar de novos encontros virtuais sobre diversos com relação ao audiovisual independente.
A entrevista com Alina Frapiccini para o webdocumentário Ctrl-V::VideoControl está acessível pelo link: http://ctrl-v.net/trechos/
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