Novas economias da cultura
A YPPRODUCTIONS (YP) é uma produtora cultural localizada em Barcelona que realiza trabalhos de produção, gestão, pesquisa e formação no âmbito da cultura desde 2003. Em 2008 começaram a investigação “Novas Economias da Cultura” através da qual se pretende estabelecer “um marco crítico respeito às formas de economizar a cultura sob o discurso das indústrias criativas ao mesmo tempo que se analisa os novos cenários onde se constroem outras escalas de valor e outros marcos de relação entre cultura, economia e política.”
Considero a primeira parte do trabalho – Tensões entre o econômico e o cultural nas indústrias criativas – como leitura obrigatória a todas as pessoas interessadas em compreender o papel das indústrias criativas na sociedade contemporânea como uma das áreas mais dinâmicas e pungentes da economia. De fato, as iniciativas baseadas no conhecimento crescem de maneira acelerada facilitadas pelas novas tecnologias pondo em discussão a própria noção de desenvolvimento que reconhece a cultura como elemento chave na nova ordem mundial globalizada.
“Ao longo deste trabalho questionamos o modelo hegemônico de economização da cultura que impõe a inclinação das denominadas indústrias criativas. Fazemos uma breve genealogia dos discursos políticos e econômicos sobre esta realidade e questionamos sua idoneidade como base da economia da cultura. De forma paralela, ao comprovar que as indústrias criativas se estabeleceram como centro de muitos planos de desenvolvimento implementados em países com economias emergentes, ao longo do texto destaca crises da própria noção de desenvolvimento e alguns dos mitos que encerra. Advogamos por pensar outros modelos de política cultural que compreendam e potencializem os diferentes valores que emergem da cultura. Para isso comparamos diferentes programas de política cultural como os “pontos de cultura,” no Brasil. Apostamos por modelos de política cultural que fomentem os processos bottom-up e que compreendam o potencial que encerram certas dimensões culturais.”
Além da analise de políticas publicas como o programa brasileiro Cultura Viva, estes pesquisadores nos trazem exemplos concretos de situações nas quais projetos culturais contribuem para o desenvolvimento local, muitas vezes contra políticas locais e aproveitando das “liberdades” do mercado. No México, por exemplo, os sonideros são grupos mexicanos que misturam músicas tradicionais latino-americanas a sons e efeitos eletrônicos próprios dos DJ's com modificação de tons de vozes e velocidade de reprodução de temas extraídos de diferentes meios. Para divulgar este trabalho produzem grandes eventos públicos, de forte impacto social que geram novos e eficientes circuitos de distribuição além de enfrentar as inúmeras barreiras por parte da administração local que faz todo o possível para proibir estes processos de auto-organização. “Estas estruturas contribuirão para gerar mais um ecossistema rico de produção cultural, dando lugar a correntes de valor alternativas e facilitando o acesso à cultura a setores da população que não se sentem interpelados nem têm os recursos econômicos suficientes como para poder “desfrutar” da cultura que oferecem os mercados tradicionais.”
Na próxima parte do trabalho se aprofundará a pesquisa para a sustentabilidade destas iniciativas como as “empresas do procomum”, isto é, projetos empresariais dentro do campo da cultura que têm por objetivos produzir conhecimento, reforçar vínculos sociais e facilitar o acesso democrático às manifestações culturais ao invés de alcançar a riqueza baseada no entretenimento. Obrigada à YP que entrevistaram especialistas de diferentes perspectivas para nos convidar a esta reflexão.
Para mais informações sobre a YP acesse: www.ypsite.net
Para vizualizar o texto Novas Economias da Cultura online acesse: http://www.ypsite.net/recursos/biblioteca/documentos/nuevas_economias_cu...
(o texto está disponível em idioma espanhol)
| Anexo | Tamanho |
|---|---|
| Nuevas Economías de la Cultura YP.PDF | 721.41 KB |
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