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Espaço Cubo é uma alternativa de mercado
7 janeiro, 2010 - 19:40 | by Fernanda MartinsO Espaço Cubo, uma organização cultural coletiva informal de Cuiabá, iniciou suas atividades em 2002 e de lá para cá consolidou sua posição com determinação, ousadia e visão de futuro. Desde o princípio inovou em práticas mercadológicas com um discurso voltado para o desenvolvimento do mercado cultural no estado do Mato Grosso. Suas ações sempre foram planejadas para fomentar um mercado autoral, alternativo e auto-sustentável.
As tentativas de buscar um lugar na cena nacional sucumbiram diante das estruturas dominantes, das gravadoras e distribuidoras majors ou mesmo das independentes que começavam a ensaiar alternativas para novos trabalhos considerados de qualidade e sem inserção no grande mercado.Graças ao poder articulador do seu líder, Pablo Capilé, foi criado, em 2006, o Circuito Fora do Eixo, uma organização que reúne produtores de festivais emergentes e movimentos independentes de 12 estados brasileiros e 20 cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Londrina, Florianópolis, Belém, Cuiabá, enfim, resultado desse movimento que surgiu em Goiânia, paralelo à criação da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFI).
Sistema de crédito
A criação do sistema de crédito Cubo Card buscou inovar nas relações internas, mas com reflexos diretos nas relações com o mercado. O que entra de receita no Coletivo é transformado em crédito, em cubo card, na seguinte proporção em relação à moeda vigente no país: 1 Cubo Card é igual a 1 real e 50 centavos. A grande sacada é que, ao se conseguir um patrocínio, pode-se captar o recurso em produtos ou serviços: por exemplo, um restaurante pode investir em um determinado evento, ganhando em troca propaganda ou outras vantagens, e ao invés de pagar 500 reais em dinheiro/moeda, paga em crédito para consumo, o Espaço Cubo administra esse crédito e, em vez de pagar um salário para os colaboradores envolvidos, distribui créditos para consumo e isso serve para qualquer atividade comercial. Bares, restaurantes, cabeleireiro, lojas de roupas, locação de DVD's, lojas de discos, livros, enfim, trocas que não envolvem moeda. As vantagens do sistema são muitas, pois facilita as transações entre clientes e parceiros. A própria Secretaria Municipal de Cultura incorporou o sistema e ao conceder um benefício em dinheiro para determinado projeto, recebe em troca o valor dado em Cubo Card. A Secretaria pode utilizar esse crédito contratando shows do elenco do Espaço Cubo ou a organização de um evento. É uma compra de créditos. Isso gera uma atividade econômica viável e o sistema já desperta o interesse de outras instituições, como a Central Única das Favelas (Cufa MT) que já está criando o Cufa Card.
Os coordenadores também são pagos em Cubos Card, o que garante uma razoável qualidade de vida na medida em que têm acesso a uma série de produtos e serviços que dá para suprir as necessidades de cada um. O Espaço Cubo mantém também uma residência em regime de aluguel na região central da cidade que permite acomodar seus integrantes contribuindo para agilizar suas vidas, quando, por exemplo, estão impedidos de conseguir transporte no meio da noite, servindo portanto de abrigo temporário. Ganham comida, transporte e lazer para trabalhar em prol do projeto. Não existe a idéia de se ganhar dinheiro, Pablo Capilé afirma categoricamente: “Quem estiver pensando em lucrar aqui, agora, ou faturar em reais, pode mudar de rumo que não serve para o propósito do Espaço Cubo”, o excedente é sempre revertido para investimento na estruturação do projeto. Todos atuam de forma integrada visando a idéia geral, o conceito coletivo do projeto.
O entusiasmo do líder do projeto deixa claro que as dificuldades encontradas não serão capazes de interromper a trajetória da iniciativa. Criatividade, persistência e ousadia, aliados à visão estratégica, planejamento e capacidade de realização, são as marcas desse trabalho que vem vencendo as barreiras do isolamento e colocando em xeque as premissas reguladoras dos mercados mais tradicionais.
Fonte: Overmundo
Edição da reportagem de Eduardo Ferreira. Para ver o texto completo:
http://www.overmundo.com.br/overblog/espaco-cultural-ao-cubo